Há três anos atrás quando me propus a fazer uma Pós-Graduação em Design de Hipermídia o termo ainda não era popular. Formada em Engenharia de Computação, encontrava com os amigos de faculdade entre outros, e então passei pela seguinte situação:
Eu: “Estou fazendo Pós”.
Conhecido: “É mesmo? Que legal. Em quê?”.
Eu: “Em Design de Hipermídia”.
Conhecido: “Hipermídia… Ah, legal!”.
——— SILÊNCIO ———-
Conhecido: “Mas o que é Hipermídia?”.
Aí tinha eu que abrir o livro e explicar o que era. Hoje já se encontra na internet vários artigos e reportagens sobre o assunto. Aqui, pretendo explicar o que significa Hipermídia, como ela surgiu e como ela está contribuindo com a Internet.
Como surgiu?
O conceito Hipermídia foi criado na década de 1960 pelo pesquisador, cientista da computação e professor Theodor Nelson. Ele vem do termo Hipertexto também criado por ele baseado em Vannevar Bush que idealizou o hipertexto em seu artigo “As We May Think”, de 1945, sobre um mecanismo futurístico denominado Memex.
Mas o que é afinal?
A hipermídia une os conceitos de hipertexto e multimídia. Ou seja, um documento hipermídia contém imagens, sons, textos e vídeos. Mas a principal característica da hipermídia é possibilitar a leitura não linear de determinado conteúdo, ou seja não ter necessariamente início, meio e fim, e sim se adaptar conforme as necessidades do usúario.
A idéia básica da hipermídia é aproveitar a arquitetura não linear das memórias de computador para viabilizar obras “tridimensionais”, dotadas de uma estrutura dinâmica que as torne manipuláveis interativamente. Hipermídia é, portanto, uma forma combinatória, permutacional e interativa de multimídia, em que textos, sons e imagens (estáticas e em movimento) estão ligados entre si por elos probabilísticos e móveis, que podem ser configurados pelos receptores de diferentes maneiras, de modo a compor obras instáveis em quantidades infinitas.
E o Design na Hipermídia? Como que é isso?
Como toda área do design, o design de hipermídia toma emprestado os seus conhecimentos teóricos de diversos campos do saber, como a filosofia, a ciência (psicologia, antropologia, sociologia, ergonomia, semiótica, entre outras) e a arte.
Suas características são:
- Hibridismo: associação de duas ou mais mídias, encontro de dois ou mais meios; conjunção simultânea de diversas linguagens.
- Hipertextualidade: sistema não-linear, multisequencial ou multilinear. Incorporam dois sistemas diferentes de utilização: o modo autor (onde são criados os sistemas de nós e âncoras) e o modo usuário (onde ocorre a navegação).
- Não-Linearidade: refere-se a idéia de possibilitar caminhos e segmentos abertos, diversos, repletos de desvios, complexo, composto por linhas de segmento e linhas de fuga.
- Interatividade: possibilidade de de transformar os envolvidos na comunicação, ao mesmo tempo, em emissores e receptores da mensagem
- Navegabilidade: diz respeito ao ato de navegar, exploração e mobilidade do usuário no ciberespaço, na rede ou em um aplicativo de hipermídia.
Quando você se propõe a estudar o Design de Hipermídia, além de ter os conceitos acima na cabeça você deve estudar:
Estrutura x Forma x Função x Conteúdo
Interatividade
Não-Lineariedade
Navegabilidade
Interface
Arquitetura da Informação
Usabilidade
Adaptatividade
Acessibilidade
Semântica
A contribuição do Flash (software da Adobe) para a Hipermídia
Quando comecei a aprender Flash, o software estava na versão 3.0 e já fazia muita coisa bacana para a época em que vivíamos, onde utilizávamos gif animada para deixar as nossas páginas mais atraentes.
Nossos netos um dia nos perguntarão: gif animada? O que é isso vó?
Pois é, pré-histórico mas hoje ainda é a saída para alguns projetos.
A revolução do Flash na minha opinião começou com a versão MX. Foi aí que começaram a surgir os banners animados em todos os sites que estávamos acostumados a ler as notícias pela manhã. Desde aí, até hoje, ainda vemos banners e publicidade em Flash por todos os lados. Aliás, o flash alavancou a publicidade na Web. Cada dia que passa me impressiono com a criatividade do povo por aí fazendo coisas andarem nas nossas telas e nos chamar a atenção para o que eles querem comercializar.
Mas voltando ao nosso assunto…
O Flash na versão 8.0 incorporou muitas funcionalidades do Adobe Photoshop, software já “habituê” dos webmaníacos. Ele também incorporou várias funções de vídeo e som fazendo com que pudéssemos interagir um vídeo em nossa interface sem que isso fosse algo demorado para carregar. Aí vem YouTube, essa febre que está na Internet, a Publicidade Viral e por aí vai. Quem já não recebeu um videozinho por e-mail de um amigo, deu muita risada ou mesmo chorou e depois o re-passou para outros trezentos amigos?!
Temos que ver também que a Internet mudou. Eu acessava BBS e achava o máximo falar com o “Bot” (risos). Hoje tenho Banda Larga, faço compras pela internet e o melhor, não preciso sair de casa para trabalhar! Mas isso é um assunto para outro artigo no qual vou tratar do termo Web 2.0 que todo mundo está falando.
Voltando ao Flash, em minha opinião este software para a Hipermídia é fundamental. Chegamos a um ponto em que a experiência em hipermídia se tornou brincadeira de adolescente. Mais do que ter suporte para áudio, vídeo, texto e interatividade, o Flash reúne isso tudo numa mesma ferramenta, com custo relativamente baixo.
O hipertexto plano oferece profundidade de informação num espaço muito compacto, mas com interatividade baixa. Áudio e vídeo juntos ocupam mais espaço e também tempo, mas são tão imersivos que podem colar pessoas numa poltrona por horas. Se adicionarmos interatividade a esse conteúdo, temos a hipermídia, ainda mais envolvente.
Em resumo, o Flash contribuiu e muito para uma das características da Hipermídia: a interatividade.
Aí você me pergunta: Inter… o que??
Isso é um papo longo, que eu podia escrever “n” artigos sobre o assunto então, por isso, se você se interessou em ler este artigo eu separei várias URLs sobre o assunto para a sua diversão:
Design de Hipermídia: novo campo de ação, criação e desenvolvimento.
http://www2.anhembi.br/momento/pdf-2005/06_vitrine.pdf
Design de Hipermídia: novo campo de ação no ensino, na aprendizagem e na formação profissional
http://www.conahpa.ufsc.br/2004/artigos/Tema3/03.pdf
O Labirinto da hipermídia – arquitetura e navegação no ciberespaço (Lúcia Leão)
http://www.patio.com.br/labirinto/o%20labirinto%20da%20hiperm%EDdia.html
Sistemas de Hipermídia facilitando a assimilação da informação
http://www.cinform.ufba.br/iv_anais/artigos/TEXTO06.HTM
Educação Visual Hipermídia – Webdesign
http://www.arte.unb.br/lis/fapfim/web.html
Projetos de Aplicação Web [URL]
Quem quiser conhecer o meu trabalho de conclusão da Pós, que fiz junto Aline Alves (a artista do projeto) onde fizemos uma transcriação da obra de Ariano Suassuna: “O Auto da Compadecida” para o ambiente hipermidiático, basta acessar http://www.designdehipermidia.com.br/autodacompadecida/
Um beijo e até o próximo ;)
Juliana Apolo